Na lonjura do horizonte a busca etérea da luminosidade espiritual...da doçura do sonho às agruras da realidade.Palavras e imagens que, devagar, divagam entre ignotas luzes, sombras e penumbras, de ciclos de vidas incertas e perdidas na voragem do tempo
Domingo, 8 de Janeiro de 2006
Essencial: conhecer o impossível...o Homem

        essenziale.jpg


                                                  (Foto da net)


No seu último romance, “As Intermitências da Morte”, Saramago recorre ao “Livro das Previsões” transcrevendo:«Saberemos cada vez menos o que é um ser humano».


Sem dúvida uma grande, talvez a maior previsão sobre o futuro da humanidade e do mundo que habita.


Afinal todos os dias nos esquecemos do homem, esse ignoto símio que se cruza connosco, que sofre dores e vive emoções, tal qual como nós, que miramos e não miramos, conforme a disposição e humor que nos invade. É facto que, por vezes, reparamos na presença do outro semelhante, mas ignoramos ou desdenhamos sua existência. É mais um!...pensamos nós. Amigo? Adversário? Indiferente? Queremos lá saber! O egoísmo invade-nos até ao tutano existencial e limitámo-nos a cumprir o ritual desassombrado da eterna indiferença perante os outros.


Mas quando existem interesses no interesse por esse “outro”? Ah!, aí calma! O “outro” poderá ser fonte de lucro para nós...convirá não ignorá-lo. Agiotas das almas, vendilhões de hipocrisia, valsamos ridículos salamaleques em redor do “outro” que nos interessa...até que os nossos objectivos sejam alcançados. Bem, depois, se o “outro” já não for útil...esquece-se, ignora-se...ultraja-se, se tal for necessário para o desenlace.


E é assim que vamos seguindo as normas de milhares de anos de convívio existencial, descrito e documentado em tantos outros milhares de cartapácios quase dogmáticos, escritos por outros, que já foram “outros”, e deixaram depoimentos e ideias...para esquecer e deixar empoeirados em estantes e gavetas. Escritos sedimentados na lama dos tempos e rotulados, muitas vezes, de “Livro das Previsões”, mas que dizem o que dizem, transmitem o que cada um pretende lhe seja transmitido, mesmo que a deturpação factual e literal seja necessária...para os nossos interesses.


Então que conclusão tirar, neste prólogo de 2006, acerca desse outro animal, simiesco e rotulado de HOMEM, animal de origem transmilenar? É, como sempre foi e será (?), um animal de interesses...logo, um INTERESSEIRO.


Continuaremos com essa certeza, mas na realidade “saberemos cada vez menos o que é um ser humano”.



publicado por dboliveira às 19:13
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