Na lonjura do horizonte a busca etérea da luminosidade espiritual...da doçura do sonho às agruras da realidade.Palavras e imagens que, devagar, divagam entre ignotas luzes, sombras e penumbras, de ciclos de vidas incertas e perdidas na voragem do tempo
Segunda-feira, 25 de Abril de 2005
Relembrar -2

pedinte.jpg


Durante estes últimos dias, devido às múltiplas tarefas correlacionadas com a minha profissão, e um hobby de policiarismo, com encontro no Fórum da Maia, durante o fim de semana, não me foi possível "blogar" um pouco, pelo que, mais uma vez, e para evitar simples olás e blá-blás vazios de conteúdo, atrevo-me a relembrar os meus tempos de juventude, agora com um poema que publiquei em 09/03/74, no já anteriormente referido Jornal das Aves. Fi-lo pensando naqueles que um dia foram  senhores de um reino e poder, mas que mercê do seu desatino tudo perderam numa autêntica vida de libertinagem e desaforo.  Conhecemo-los...andam por aí, ainda hoje, viajantes do triste fado, passageiros de ventos e tempestades, heróis de contos cor-de-rosa desbotado...super-homens que viraram infra-homens.


 


Ei-lo que avança...


Lua nos olhos,


lábios em dança,


cérebro aos folhos.


Traz mil canções


na cárie dos dentes


- gritos e orações


aos deuses cadentes.


Trinca o cigarro


nos lábios crestados,


segura o catarro


nos dentes cariados.


Urtigas, no peito,


cobrem cicatrizes


dum sonho, desfeito


entre meretrizes.


Traça, sem giz,


no tempo em dança,


o esboço-raíz


dum sonho-esperança.


A lua dos olhos


perde o seu brilho,


entre os escolhos.


Não deixa rastilho.


Seu sonho desfeito


é vento à deriva


- dilema, preceito,


antraz, chaga viva.


Seu sonho-esperança


esvai-se em lume,


torna-se dança


dum saco de estrume.


 


Ei-lo que avança...


É Rei deposto,


sem ceptro, sem lança,


com lama no rosto.



publicado por dboliveira às 22:44
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Terça-feira, 19 de Abril de 2005
...
ratzinger.jpg


Felizmente, após curto conclave, os católicos e o mundo têm o sucessor de João Paulo II.
Todos conhecemos RATZINGER, o cardeal alemão nascido em 1927, e que era, segundo muitos a verdadeira sombra do seu antecessor que talvez esteja bastante ligado a esta escolha. Boa ou má escolha foi a dos 115 cardeais reunidos desde ontem. Não sei se Nostradamus falava deste homem da Igreja, quando diz que viria dum país das oliveiras...também as há na Alemanha, mas poucas, concerteza. Interessará é a forma como BENTO XVI irá calcorrear as veredas do Senhor, porquanto as dificuldades irão ser imensuráveis...esperemos o sinal dos tempos... e não julguemos, para não sermos julgados


publicado por dboliveira às 19:00
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Sexta-feira, 15 de Abril de 2005
...

images1.jpg 


Dizem que os pobres oscilam, neste naco de solo, entre os dois milhões e o infinitamente ignorado. A pobreza tem matizes e raízes. Por vezes flui de genes deficitários e corre os cordões das gerações sucedâneas. É uma miséria transmitida, com omissão de posteriores emendas e  soluções. Está na massa, diz o vulgo; está nos genes, diz o sábio. Está onde está, na essência de se ser o que se não deve, diz-me a profunda ignorância que partilho com a ciência.


Há a pobreza lavrada na ociosidade, na devassa familiar, no vício incontrolável...na real incapacidade dos párias sociais. Alguma esvai-se na azáfama do nada fazer, no cigarrear demenciado e de sequelas impensadas. Outra baliza-se na degradação vivencial de mentecaptos com relacionamentos baseados em falaciosas alianças. Outra, ainda, no incontrolável desperdício de recursos mal geridos. Enfim, tudo pobreza tolerada por autoflagelo, uma espécie de punição alternando sadismo com masoquismo e, quase sempre com efeitos colaterais nefastos.


Todavia existe a pobreza dos que são despojados dos seus bens, do seu trabalho e dos seus direitos inalienáveis, por terceiros que os procuram subjugar e, quando desnecessários ou empeçilhos, são arremessados para a sarjeta dos infra-homens...é vê-los por aí, definhando entre a vergonha e o desespero, muitas vezes em simbiose com o vício neo-adquirido. Culpados da sua miséria?...Talvez não tanto quanto se pensa, ou mesmo nada...


 


E porquê...breve, falarei dos assassinos sociais, dos criadores de miséria, dos açambarcadores do bem-estar social...enfim, dos fabricantes do inferno social



publicado por dboliveira às 14:00
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Domingo, 10 de Abril de 2005
Relembrar

1111.gif



Para iniciar, de forma romântica, este meu nicho-sacrário de divagações, nada melhor que resgatar da poeira dos tempos um poema que, era ainda um fogoso jovem de vinte e um anos, dediquei à então minha namorada, hoje esposa e companheira de quase trinta anos, e publiquei em 06/04/1974 (tempo da velha senhora) no já extinto "Jornal das Aves" (pertença da também já desaparecida Fábrica de Poldrães, da Vila das Aves). Nessa altura publicado, como alguns outros (proto)-poemas, com o pseudónimo "Danilo Carsay".Parece ter sido ontem, mas a voragem do tempo não contempla imobilismo nem imutabilidade. A cadência vital ressurge, num ápice, mas esfuma-se numa pseudo-lentidão, que nos deixa cada vez mais envoltos na efémera existência. Cada amanhã parece-nos um passado iminente.Eis pois a minha relembrança e nova dedicatória à sempre jovem companheira deste tempo e do outro.


 


 


 


AMO-TE ASSIM

Amo-te, assim,

em laivos de fome,

 mulher sem fim,

seiva do meu nome.

Amo-te, em força,

anjo de candura.

Sou gamo...és corça...

Somos a ternura.

Amo-te, alor

dos beijos perdidos,

 viçosa flor,

néctar dos sentidos.

 Amo-te, aurora

 das minhas manhãs,

sumo de amora,

rubor de maçãs.

Amo-te, auréola

de sonhos felizes,

grácil alvéola

nimbando raízes.

Amo-te, amor,

princípio e fim...

Sangue e calor

por dentro de mim.



publicado por dboliveira às 20:51
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Sábado, 9 de Abril de 2005
Razão de um nome

Todo o homem sonha e se deixa esvoaçar nas amenas aragens que o abraçam, em espaços esotéricos e oníricos. A contemplação não embarga a essência humana, nem a descaracteriza. Antes lhe confere o élan da existência. Divagar devagar é uma forma que sempre me seduziu...até quando? Veremos.


Divagar devagar, eis um título que há anos mantive num jornal regional de curta duração e de que cheguei a ser director convidado.



publicado por dboliveira às 14:12
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