Na lonjura do horizonte a busca etérea da luminosidade espiritual...da doçura do sonho às agruras da realidade.Palavras e imagens que, devagar, divagam entre ignotas luzes, sombras e penumbras, de ciclos de vidas incertas e perdidas na voragem do tempo
Domingo, 22 de Maio de 2005
Poder político...riqueza pessoal...exploração dos pobres

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É sempre difícil a autopenalização política quando são os próprios governantes a tratar seus próprios problemas. A gente, numa plenitude de promessas e ansiada votação, coloca-os no poder, mediante expectativas de melhoria das condições sociais, económicas e políticas. No entanto, mal se encontrem instalados, parece que as águas deixaram de correr, tudo regressa ao inerte imobilismo do passado, as promessas não passaram disso mesmo, as condições sociais, económicas e políticas estagnaram e, quase sempre, pioraram. A felicidade de quem os colocou no poder virou em profunda desilusão, e todos ouvem falar do maldito défice, do excesso de trabalhadores na Função Pública, da necessidade de revolução tecnológica, de sacrifícios sempre solicitados, enfim, de uma mão cheia de desgraças que se desejam fazer desaparecer, mas que teimam em recrudescer. E quem estava mal pior ficará, quem estava muito bem, bem continuará ou até melhor. Nos media vão-se lançando os milhões de lucro que muitas empresas ainda conseguem neste contexto de miséria e pobreza global...como será possível, senhores políticos? Se têm tanto lucro, porque será? Alguém lho dá... e à custa de quem? De certeza que não são apenas “bons gestores”, pois a boa gestão não deve visar lucros a expensas da miséria de quem produz o que é rentável. Esse lucro deve ser uma forma de se melhorar as condições de vida daqueles que, na dureza da produtividade, conseguem tal lucro...há que partilhar, embora racionalmente, essa riqueza que não deverá parar toda nas mãos dos donos das empresas e seus “bons gestores”, gerando apenas bem-estar sócio-económico nestes últimos, que assim, à custa do suor alheio, usufruem de todas as benesses e benefícios. É deveras confrangedor ver tantos operários, que labutam quotidianamente e se desgastam nas empresas, não partilharem das alegrias de uma vida feliz e verem os valores resultantes do seu trabalho a ser esbanjados pela exacerbada opulência dos seus dirigentes....patrões e políticos, vendidos ao poder económico. Quando se trata de reduzir às despesas logo a classe política se vinga nos pequenos trabalhadores da Função Pública (os privados, que roubam fugindo aos impostos esbanjando e desviando riqueza, estão impunes!) e não se querem retratar nesses excessivos gastos da Administração Pública, em que eles, políticos, os seus boys e correligionários, levam ao maior dispêndio do bolo global do Orçamento da Função Pública. Por acaso estarão os políticos tão cegos, ou não querem ver o óbvio, que são eles, autênticos funcionários públicos efémeros (só enquanto em tarefas de Estado!...) que nem pertencem ao quadro efectivo, que gastam a maior fatia do Orçamento Público? Quanto ganham extra remuneração base? Quantas mordomias, desde automóveis por conta, telefones, cartões de crédito, subvenções de reforma para além desta e ainda duplicações de contagem de tempo de serviço, etc., fora as ajudas por tráfico de influências? Acharão eles que nós estamos a dormir, que não sabemos destas...e doutras benesses? Que se cuidem e, acima de tudo, sem receios de autopenalizações, que cortem nas suas exageradas benesses e não mexam nos empregos e ordenados dos já e sempre sacrificados funcionários públicos...pois nem todos são preguiçosos ou oportunistas, enquanto quase todos os políticos bem acondicionados, não passam de oportunistas que, em nome do Povo, se governam desavergondamente e sem qualquer sentido de justiça social. Raros serão os políticos sérios e desprovidos da vontade de explorar o Povo, e se há corrupção deverá ser primariamente procurada nesta classe política e nas suas relações com o mundo dos grandes e médios empresários, contra os quais, pessoalmente, nada me move. Todavia veja-se como se degladiam aqueles que já estiveram e continuam em lugares politicamente “apetitosos”, e se desvinculam dos partidos, mesmo após se provar que foram transgressores, para poderem, em nome duma pseudo-independência, continuar a sugar o Povo. Admira-me que muitas vezes este mesmo Povo explorado, lhes continue a dar o aval e legitimidade da continuidade de exploração e usurpação. É razão para se apelar à ignorância e simplicidade do Povo, e acordá-lo para a realidade. Fazê-lo ver que está a lidar com pessoas “influentes”, mas movidas por falsas paixões e avidez de riqueza à custa de tanta humildade e respeito popular. Porventura já repararam que praticamente todos os que se metem nos altos cargos políticos acabam por se guerrear entre eles quando não lhes voltam a dar continuidade ou outro cargo influente dentro da organização económica e política? Porquê?...Tirem as vossas ilações, mas não sejam ingénuos. Gostaria ainda que pensassem um pouco no destino e a quem foi dado todo aquele dinheiro que a União Europeia deu aos portugueses para que o aplicassem no desenvolvimento global do País. Podem crer que se sumiu...e só os políticos que estavam no poder sabem a quem o deram. Amigos? Familiares? Eles próprios? Quem?...Eu não...e você?... Quem de vocês, povo (des)governado, realizou umas férias no Dubai, ao preço de quatro mil euros por dia (800 contos/dia) como o Dr. Paulo Portas? Com que dinheiro?...E outros que fazem e fizeram semelhantes despesas, mas não se soube? Não importa...o Zé Povinho continua e continuará a pagar impostos para tais benesses dos bem instalados. Acabando como comecei, repito: é sempre difícil a autopenalização política quando são os próprios governantes a tratar seus próprios problemas, pois não têm qualquer vontade política (nem outra) de perder as regalias, mordomias e alcavalas de que são usufrutuários, por enviesadas leis que nunca foram referendadas (e deveriam sê-lo) pela VOX POPULI.



publicado por dboliveira às 18:40
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Quinta-feira, 12 de Maio de 2005
Deuses e demónios da Igreja...há que sustê-los

choro2.jpg gravidez.jpg


A militância eclesiástica, mais que outra qualquer, partidária ou não, deverá usar de precauções na emissão de opiniões. Bala disparada jamais se evita de causar danos, mesmo que mínimos. A ética reveste em certas profissões (se de profissões se trata) maiores reparos e censuras, embora a reprovação não escolha feitios, moralidades e personagens. A forma de avaliar actos pode ser deformada e o objecto avaliado uma vítima involuntária. Ora ouvi hoje mesmo que um sacerdote, ainda por ironia do destino com nome do meu alter ego, proferiu, em reincidência, na TSF uma ENORMIDADE ( e o termo já foi utilizado) na comparação da morte violenta da menina Vanessa Pereira com as mortes intra-uterinas (abortivas). Argumentou, com laivos de puritanismo ignorante, que a primeira se pode defender da morte, mas que as segundas não têm qualquer hipótese de se defender. Num bê-a-bá de primarismo racional até pareceria haver alguma lógica na afirmação, mas as coisas não são tão primárias nem lineares quanto a sua sacrossanta ignorância procura comprovar. Por essa ordem de ideias, e sem entrar na essência dos problemas colocados, deveríamos também concluir que é grande crime a grávida não se alimentar, voluntária ou involuntariamente, pois prejudica o desenvolvimento do feto; não poderá também aspirar ou ingerir tóxicos e produtos nefastos ao feto, mesmo que provocados ou induzidos por terceiros, também estes criminosos. Ora bem, é preciso raciocinar e não se deixar arrastar por preconceitos e princípios dogmáticos enviesados. Assim teríamos, e até temos, uma sociedade capitalista de criminosos que deixam grávidas sem emprego, que pagam ordenados de fome às trabalhadoras grávidas, que as obrigam a trabalhar nesse estado em condições precárias e, por vezes insalubres. Ora veja lá senhor padre de Lordelo, se os seus amigos capitalistas, maus pagantes, e ávidos de lucro fácil, muitas vezes com o assentimento tácito da Igreja, não estarão a ser os verdadeiros criminosos e causadores de incapacidades de muitas grávidas levarem os seus filhos até ao verdadeiro contacto com a natureza e com esta realidade oblíqua dum mundo cão, como alguém lhe chamou, com razão. A Vanessa já não estava “in utero”, mas melhor lhe teria sido, avaliando hoje as circunstâncios do seu indesejado nascimento e último sofrimento fatal, que tivesse sido mais uma filha do aborto. Não quero ferir sensibilidades, pois respeito a vida, mas esta criança, como outras conhecidas e anónimas, já sabem a cor da vida extra-uterina, conhecem a alegria, a tristeza, o amor, choram e riem, saltam e batem palmas...enfim, já têm noção perceptiva e sentem o mundo enorme e cruel que as rodeiam. Todavia esse mundo, no próprio seio familiar, foi-lhe inimigo cruel, destino de angústias e atrocidades fatais, em corpos tão inocentes que nesse próprio seio familiar deveriam ter encontrado o amor e a paz...mas não. Antes, foram trucidados por mãos ímpias pseudo-amigas, por cérebros vampirescos ávidos de sofrimento inocente. Não devemos aproveitar acontecimentos tão dolorosos e desumanos, para, em seu nome, propalar-mos ideias com algum pendor político e que apenas deveriam implicar a nossa razão e a nossa consciência colectiva. Não sejámos demónios em nome de Deus e da Igreja, e muito menos se envergarmos as vestes de representantes de Deus na Terra...tudo tem um limite.



publicado por dboliveira às 20:22
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Domingo, 1 de Maio de 2005
Paraíso...Açores

image002.jpg Num recente fim de semana fui de viagem de trabalho à linda ilha de S. Miguel. Desta feita fiquei alojado no verdejante e deslumbrante Hotel Terra Nostra, onde a paradisíaca paisagem nos deixa extasiados, numa autêntica sensação de relaxe e paz interior. Nada de “stressante” se passa ali... Só a natureza viva e gente transformada em seres pacíficos, numa verdadeira simbiose com a paisagem e o silêncio que nos absorve. Embora, como dizia o poeta militante José Gomes Ferreira, “viver sempre também cansa”, ali a vivência elimina o cansaço, as preocupações do quotidiano, a tristeza; tudo parece energia positiva capaz de incentivar a alma, o espírito e vivificar o corpo. Respiram-se energias renovadoras e, devagar, vamos divagando nas asas do tempo, que é de todos e, talvez, de ninguém. Quantas vezes, na azáfama diária, explodimos que “não temos tempo”! Até parece que, com tanta gente a queixar-se da falta de tempo, o próprio tempo deixou de existir, sem que ninguém saiba onde efectivamente está o tempo que a todos fugiu? Terá vindo para lugares paradisíacos como este de que falo? Felizes, então, os seus habitantes que roubaram o tempo dos outros, involuntariamente, sem qualquer culpa. Na realidade o problema, sabemos bem, é outro. As preocupações são elaboradas à medida da nossa dimensão humana e de acordo com as nossas ocupações obrigatórias. Sendo assim, até o simples escorrer do silêncio, que nos envolve, nos pressiona, quando lutamos na execução das nossas tarefas diárias. Sem esta pressão, o sentimento de beleza extrapola-nos e, em locais longínquos do bulício citadino, a beleza e a paz são potenciadas ao expoente máximo. Ainda bem, porque essas paradisíacas paragens servem de lenitivo e escape, dando azo à inspiração poética e ao romantismo que, noutras circunstâncias, temos ocultos e oprimidos no âmago das nossa almas.


Repara amor na lonjura do horizonte


a alma da passarada imergiu na paz


lacustre, e na sombria lisura


da água, subterfúgio de silêncios


e palácios de deusas encantadas.


Os barcos, adormecidos nas margens,


esperam as melopeias do dia seguinte


e servem de cendal aos patos dormentes


enquanto os cisnes se refugiam


na prata obscura das reentrâncias


do lago, envolto na magia do silêncio.


Atrás de nós, o sulfúreo sabor das furnas,


dança na sensibilidade do nosso olfacto,


escorre-nos pelas faces e entra na alma


inebriada por arroubos de paz


e tranquilidade sem limites.


Uma mariposa vem, suavemente, poisar


no teu ombro, trazendo na leveza das asas,


a doçura de toda a natureza envolvente


e a fluidez fugidia duma luz esvanecente.


Uma ligeira brisa de sabor floral


levanta-lhe as asas e, na leveza do sonho,


lança-a para os sulfúreos vapores


onde desaparece, entre o esmaecido


verde cinéreo, da sonolenta paisagem.


 



publicado por dboliveira às 20:43
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