Na lonjura do horizonte a busca etérea da luminosidade espiritual...da doçura do sonho às agruras da realidade.Palavras e imagens que, devagar, divagam entre ignotas luzes, sombras e penumbras, de ciclos de vidas incertas e perdidas na voragem do tempo
Terça-feira, 14 de Junho de 2005
...

eugen.jpg Morreu o poeta Eugénio de Andrade. Não queria passar sem transcrever algumas notas sobre a biografia deste poeta que adoro ler. Passo horas deliciado com a leitura dos seus poemas límpidos, ritmados, duma pureza literária incontestável. As palavras, nunca rebuscadas, batem cadencialmente no ritmo das ideias transmitidas. Para mim ombreia, em arte, com o nosso Fernando Pessoa, embora mais artístico e menos filosófico. José Fontinhas (nome verdadeiro de Eugénio de Andrade) nasceu a 19 de Janeiro de 1923 em Póvoa de Atalaia, uma pequena aldeia da Beira Baixa situada entre o Fundão e Castelo Branco. filho de uma família de camponeses, ";gente que trabalhava a pedra e a terra". Entra para a escola da aldeia natal aos 6 anos. Um ano depois, muda-se com a mãe para Castelo Branco. Em 1932, muda-se novamente, agora para Lisboa, cidade onde se fixara seu pai, e onde permanece por um período de 11 anos. Em 1938 escreve uma carta e envia três ou quatro poemas a António Botto, que manifesta interesse em conhecê-lo. Em 1939 publica o seu primeiro poema, "Narciso" e, pouco tempo depois, passa a assinar com outro nome: nasce o poeta Eugénio de Andrade. Em 1941 faz-se a primeira referência pública à sua poesia na conferência que Joel Serrão, seu amigo, pronunciou na Faculdade de Letras de Lisboa, sobre "A Nova Humanidade da Poesia Nova". Em Novembro de 1942, Eugénio lança o seu primeiro livro de poesia: "Adolescente". Em 1943, o poeta muda-se novamente acompanhado pela sua mãe para Coimbra, onde permanece até ao final do ano de 1946, altura em que se fixa novamente em Lisboa. É com "As Mãos e os Frutos", em 1948, que Eugénio de Andrade alcança o sucesso. A partir dessa data, inicia-se uma carreira especialmente rica em poesia, mas também com produções nos domínios da prosa, da tradução e da antologia. Eugénio de Andrade ergue-se ao primeiro plano da poesia portuguesa. Entretanto, em 1947, graças a um amigo, ingressa nos quadros do Ministério da Saúde como inspector-administrativo dos Serviços Médico-Sociais, onde permaneceu até 1983. Em 1950 é tranferido para o Porto, cidade onde ainda hoje vive. A 14 de Março de 1956 morre a sua mãe e morre uma parte do poeta: "A minha ligação à infância é, sobretudo, uma ligação à minha mãe e à minha terra, porque, no fundo, vivemos um para o outro". Alguns amigos portuenses do poeta criaram, em finais de 1933, a Fundação Eugénio de Andrade, que abriu ao público em Janeiro de 1995. Situada na Foz do Douro, numa casa recuperada na esquina da Rua do Passeio Alegre com a Calçada de Serrúbia, a Fundação servia também de residência ao poeta. Além de diversas actividades - designadamente, lançamentos de livros, recitais e encontros de poetas - a Fundação Eugénio de Andrade editou recentemente o primeiro número da revista "Cadernos de Serrúbia ". Publica, também, a colecção "Obra de Eugénio de Andrade". Em sua memória deixo uma lágrima que recordo do seu poema com o mesmo nome


LÁGRIMA


Dos olhos me cais,
redonda formosura.
Quase fruto ou lua,
cais desamparada.
Regressas à água
mais clara do dia,
obscuro alimento
de altas açucenas.
Breve arquitectura
da melancolia.
Lágrima apenas.



publicado por dboliveira às 23:35
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