Na lonjura do horizonte a busca etérea da luminosidade espiritual...da doçura do sonho às agruras da realidade.Palavras e imagens que, devagar, divagam entre ignotas luzes, sombras e penumbras, de ciclos de vidas incertas e perdidas na voragem do tempo
Terça-feira, 26 de Julho de 2005
Dia dos Avós

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Hoje não podia deixar de memorar este dia, eu que já sou um cota e tenho gosto nisso. Avô é avô, diriam já os meus próprios avós, mas neta, única e primeira, raçuda e malandra quanto baste, tenho eu uma. Alegre e transmissora dessa alegria, contagiante, vibrante...e adjectivos sem fim. Senhora dos seus botões, como sói dizer-se, espelha a miscelânea dos genes subjacentes. Auguro-lhe, apesar dos tempos, um futuro promissor. Sei que hoje contemplou os avós com uma prendita simbólica e florida, mas ainda não tive a oportunidade de a ver, porque estou um pouco distante. Breve, a verei e guardarei no relicário dos amanhãs eternizados.


NP- Escrevo a vermelho, porque ela adora esta cor...não me questionem porquê.



publicado por dboliveira às 23:25
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Terça-feira, 19 de Julho de 2005
Morrer em nome de Deus...em vão?

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Embora não seja radicalmente defensor do fatalismo, entendo que a profundidade religiosa das pessoas, na sua maioria, resulta da educação familiar. Somos católicos, essencialmente, porque os nossos pais o foram, nos moralizaram nesse sentido enquanto fomos crescendo e alimentando a nossa personalidade. Vivemos ainda numa comunidade, também ela essencialmente católica, e acima de tudo num país arreigado a uma "sacrossanta" Concordata, por interesses socio-económicos e políticos, quiçá moralistas. Quem mudou, quando atingiu maioridade psíquica e moral, talvez o tenha feito já após muita meditação e ponderação pessoal, apesar de sujeição às críticas familiares, de amigos, e, até, auto-flagelação da consciência. Venho hoje falar deste tema, porque me chamou particular atenção uma frase sobre a morte como fundamentação religiosa. Prende-se essencialmente com um parecer (de 27/06/05) do CNECV (Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida), órgão meramente consultivo, constituído por 21 membros, sobre a autonomia do doente e o dever médico de lhes salvar a vida, despoletado por motivos de objecções de caracter religioso. Mais concretamente sobre as Testemunhas de Jeová (TJ) e sobre o seu consentimento informado acerca das transfusões de sangue e seus hemoderivados. Como sabemos, esta confissão religiosa, de base cristã, profundamente estudiosa da Bíblia, talvez, em minha opinião, com um fundamentalismo exagerado, abarca, em Portugal cerca de 100 mil seguidores. É, também como sabemos, a única confissão religiosa que proíbe as transfusões de sangue e seus derivados, mesmo em situações drásticas de anemias agudas expoliativas ou não. Ora esta proibição estende-se a todos os confessos e sua prole, mesmo menores, doentes interditos e com anomalias psíquicas, o que médica e eticamente vem criando problemas em situações clínicas pontuais, essencialmente urgentes. Segundo o CNECV, no caso de menores, doentes interditos ou com anomalia psíquica, deverá prevalecer a obrigação de o médico actuar de forma a salvar a vida do doente, independentemente da vontade dos pais ou seus representantes legais. O mesmo se aplicará em situações de extrema urgência, com risco de vida, sempre que o doente se encontre inconsciente, uma vez que aqui também o clínico deverá fazer tudo que está ao seu alcance para reverter a situação e tentar salvar o doente. Nestas situações de nada valerá um documento que habitualmente as TJ trazem sempre consigo, conhecido como "Declaração médica antecipada/isenção de responsabilidade", em que recusam qualquer tratamento que envolva administração de sangue ou hemoderivados, ilibando o médico de responsabilidade civil, em caso de desfecho funesto. Segundo a Presidente do CNECV, Dra. Paula Martinho da Silva, ao documento deverá ser atribuído apenas um "valor meramente indicativo". Sendo o CNECV um órgão consultivo, as suas decisões não poderão ser consideradas vinculativas, mas a sua Presidente espera que as mesmas "sirvam como base de reflexão sobre esta matéria". Quer o consentimento quer o dissentimento deverão, sempre que necessário, ser apresentados de forma escrita, mas excepção feita ao doente inconsciente, mesmo que portador da já referida Declaração antecipada. Nestes casos, sendo absolutamente impossível confrontar o doente com a decisão, o médico deverá agir em favor da vida do doente, tudo fazendo para o salvar. No que concerne a menores, doentes interditos ou com anomalia psíquica, deverão ser tratados como excepção, na medida em que "não podem considerar-se como tendo competência para assumir decisões sobre cuidados de saúde". Acima de tudo deverá, em qualquer circunstância, vigorar sempre o princípio de esclarecimento total do doente. Médicos há que defendem o recurso à objecção de consciência, pois como diz o Prof. José Fragata, cirurgião cardiotorácico, a Declaração antecipada " isenta o hospital e o médico da responsabilidade civil, mas não há nenhum notário que nos isente da responsabilidade ética, porque a ética é um problema de consciência". Quanto ao valor jurídico das Declarações antecipadas, as TJ apoiam-se no artigo 9º da Convenção sobre os Direitos do Homem e a Biomedicina, ratificada por Portugal em 2000, onde se poderá ler que a" vontade anteriormente manifestada no tocante a uma intervenção médica por um paciente que, no momento da intervenção, não se encontre em condições de expressar a sua vontade, será tomada em conta". Todavia também se depreende que o documento possa ser tomado em consideração, mas, de qualquer forma, não tem poder vinculativo. Como se vê este problema tem-se mostrado polémico, apesar do recente parecer da CNECV, e não parece que se vá tornar pacífico o seu seguimento.


Pessoalmente, embora respeitando os credos, neste caso o único que tem esta particularidade, também defendo, nos casos bem esclarecidos e avisados, que os conscientes do problema sejam vítimas da sua objecção de consciência. Todavia os menores, doentes interditos e com anomalia psíquica, obviamente como os inconscientes, portadores ou não da Declaração antecipada, deverão ser tratados de acordo com a deontologia e ética profissionais do médico que os observa, e tudo deverá fazer para lhes salvar a vida. Tal como não defendo as teses fundamentalistas dos actuais homens-bomba, cuja filosofia e princípios religiosos os incita, em nome da religiosidade profundamente arcaica, à destruição da vida, também não sou apologista de outros tipos de morte em nome de Deus e do fanatismo religioso.



publicado por dboliveira às 21:31
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Terça-feira, 12 de Julho de 2005
GESTÃO HOSPITALAR...LUXO DE POUCOS...MISÉRIA DOS POBRES

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Após uma longa e inesperada ausência, sem qualquer interligação com défice inspiratório ou falta de temas (tantos e tão diferenciados!), eis que ressurjo da hibernação, quase forçada, devida a muitos outros afazeres de maior importância e mais urgentes que a rotina de um blá-blá bloguítico. Gosto imenso de "blogar" mas muito mais de dar cumprimento eficaz e fim decente aos projectos em que me comprometo. Trabalho é trabalho, lazer é lazer!


Hoje deparo com um tema que me é um pouco grato e simultâneamente ingrato: os valores salariais e milionários dos gestores hospitalares, dos Hospitais SA, segundo um relatório da Inspecção Geral de Saúde, em Fevereiro de 2005. Grato, porque eu próprio sou trabalhador remunerado de hospital público, em regime de não exclusividade, ou seja 35 horas semanais; ingrato, porque, sem as eternizadas invejas de quem ganha mais ou menos que eu, me considero muito mal pago para as funções que desempenho, quando comparadas com a desses gestores, cujas responsabilidades são tão diluídas pelo "clube dos cinco", que compõem habitualmente o Conselho de Administração, alguns de qualidade duvidosa. Aliás nunca entendi muito bem, porque motivo os gestores hospitalares devam ser, sem qualquer conhecimento da matéria (salvo raras excepções), licenciados em direito ou economia, sem preparação para a gestão hospitalar, e muitas vezes com "pós-graduações", feitas à papo seco, num qualquer aproveitamento de fins de semana académicos, pagos a bom preço (às vezes por instituições que o não deveriam fazer). É claro que também há médicos e outro pessoal da área de Saúde que se inscrevem nesses Cursos de Graduação e Gestão Hospitalar, que me suscitam muitas dúvidas quanto ao aproveitamento e eficácia, apesar de serem melhores que nada.


Há poucos anos atrás os hospitais foram geridos por pessoal médico, acolitados por administradores das áreas económicas, e nunca vi, nem tenho conhecimento que os hospitais tenham sido pior geridos que agora...basta ler os resultados das gestões recentes SA, e os grandes buracos orçamentais da Saúde, mesmo com tanto estilo e tão fraca eficácia. Depois lá vêm os Orçamentos rectificativos na tentativa de se colmatar tamanhos buracos, que, ainda por ironia, não tinham sido comunicados, e até terão sido ocultados. Não é que eu considere um médico capaz de gerir unidades de saúde melhor que um enfermeiro, advogado ou economista, mas que raio de semelhança haverá entre gerir a GALP a EDP, uma fábrica de refrigerantes, um banco e um hospital. Que produto se transacciona num hospital? Energias, bebidas, dinheiros? A saúde deverá ser negócio rentável e será justo enriquecer-se à custa das doenças? Não serão os médicos exploradores, piores que os gestores e financeiros do ramo da saúde? Acredito que sim, embora saiba que todos temos que sobreviver, mesmo com as fraquezas dos outros, se as soubermos transformar no seu bem-estar e saúde. Aliás todos, mesmo os extremamente ricos, preferem ter mais saúde e menos dinheiro, mas quando estão doentes, estes últimos, é vê-los em boas clínicas, cá e no estrangeiro, submissos, muitas vezes, mas aproveitando as influências e conhecimentos que possuem.


Embora apenas correlacionado, basta ver,  nos serviços de urgência hospitalar, quando chega um político ou figura pública. Dá vontade de rir de certos profissionais que ali trabalham, e só falta vê-los lamber as botas do recém-chegado...tudo mesuras e subserviência...em nome de quê e de quem? Que exemplo dão estes profissionais aos que os acompanham e procuram servir as pessoas da mesma forma? E se repararem, vejam que de imediato aparece o Director Clínico, todo impado, e o Director do Hospital com ar de proprietário da tasca. Procuram todos o flash do fotógrafo e das câmaras de televisão...só vaidade e presunção para tão raros clientes, contrariamente à ausência, perante casos desesperados de "clientes" habituais e, para eles, "desprovidos de importância".


Bom, mas eu divagava sobre a gestão e o seu preço. Ora aqui está um ponto que mexe nos nossos bolsos, sejamos invejosos ou não do poder, privilégios e riqueza alheia. Que importância tem na vida dos doentes graves e crónicos, a capacidade gestora desses timoneiros hospitalares? Gerindo bem ou mal (pior ainda, é o habitual), o doente nem melhora nem piora, e se tivermos população incapaz por doença, incapaz há-de continuar ou até perecer, pois a gestão nada lhe fará, quando só olha para a faceta economicista da saúde pública. Se não fornecer aos doentes, através dos pedidos dos profissionais da saúde, os produtos e condições necessárias, é claro que os mesmos têm caminho mais aberto para o desfecho final...a morte. Mas esse acto de fornecer o imprescindível para os doentes é uma obrigação moral que o Estado deverá salvaguardar. Ora, sendo assim, porque razão o trabalho do gestor deverá ser muitíssimo mais bem remunerado que, por exemplo, o do médico que acaba de salvar algumas mortes anunciadas, muitas vezes em fases difíceis de trabalho, já desgastados e cheios de sono, altas horas da noite, enquanto os gestores dormem à custa do bom desempenho de todos os profissionais de saúde? Somando essas horas nocturnas de trabalho OBRIGATÓRIO durante muitos e muitos anos, quantas subvenções de reforma não mereceria o médico, ou outro profissional de saúde nas mesmas circunstâncias? E não mereceria muito mais outras mordomias que os gestores possuem (vejam bem o "Correio da Manhã" de hoje). Concluindo, o mundo anda de candeias apagadas, e os governantes só vêem o que lhes interessa. O gestor hospitalar não resolve a vida periclitante dos doentes, mas um profissional de saúde, que o faz, até já provou, ao longo de muitos anos, que consegue gerir unidades de saúde com eficácia e ao preço dos seus ordenados base, que são, em média, cinco vezes mais baixos que os dos gestores (caso de médicos, no topo da carreira, em regime 35 horas, ou seja apenas menos sete horas de base que os médicos no regime de exclusividade, que ganham quase o dobro). Razão para questionar: onde iremos com este tipo de gestão de unidades de saúde? Eu sei onde iremos...ao charco, por excessivo despesismo com os chulos do sistema de saúde.


Já viram que antigamente (há bem pouco tempo, antes dos SA) os Directores clínicos recebiam apenas o seu ordenado de médico, fora ligeiras ajudas de custo? E agora? O Director clínico do Hospital de Bragança recebia a "módica" quantia de 15.400 euros/mês...uma miséria para quem "tanto trabalha" após receber os serviços organizados das mãos de todos os Directores de cada serviço hospitalar. Assim, não custa nada ganhá-lo...pior é gastá-lo bem. Vá lá que o do Hospital de Amarante só ganhava 13.500...coitadito!


O Dr. Solari Allegro, presidente do C.A. do H. Sto. António (Porto), só ganhava, pobrezito, 10.302,68 euros/mês! Mas decerto teria para despesas de representação mais 1.600 euros, direito a viatura de serviço e gasolina sem limitações, além de cartão de crédito para despesas (?) ...e chega.


Depois há buracos na Saúde, o povo não tem direito a certos fármacos nem a transportes pagos para se deslocarem aos tratamentos de Hospital-Dia, nem Radioterapia, nem Fisioterapia, nem...muitas coisas. Mas, sabem que mais, o mesmo povo submisso não se queixa, não reclama...ou paga, endivida-se, crava amigos...ou, pior, fica em casa e morre devagar, enquanto os pobres elementos do Conselho de Administração comem lagosta e passeiam-se a expensas do cartão de gestor! Aclamem e batam palmas que a cena pode continuar nos mesmos Hospitais já baptizados  de EPE's.


 


 



publicado por dboliveira às 22:58
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