Na lonjura do horizonte a busca etérea da luminosidade espiritual...da doçura do sonho às agruras da realidade.Palavras e imagens que, devagar, divagam entre ignotas luzes, sombras e penumbras, de ciclos de vidas incertas e perdidas na voragem do tempo
Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2006
Tive um sonho...que espero ser realidade.

              sonho1.jpg                                         dream1.jpg



Toda a gente sonha e, como não sou diferente desse mundo de “toda a gente”, tive um sonho, fruto de sons intensos que se infiltraram nos tímpanos, previamente, ao ritmo da TSF e doutras fontes sonoras que me zurziram os ouvidos num quotidiano vaivém de quilómetros percorridos.


Vislumbrei enormes multidões em reboliço, múltiplas bandeiras policolores, gritaria frenética e caótica, palavras de ordem cadenciadas, alarido em massa...a loucura.


Algo distante, num fundo quase imperceptível, uma voz, similar à do “tolle lege” de Santo Agostinho, sussurrava-me: “Cavaco não ganhou à primeira”. Sorri, com amplitude Norte-Sul, e deixei-me enlear de felicidade. Afinal o que parecia, não era. Contrariamente a todas as sondagens publicitadas, a esfinge política teria de enfrentar um novo repto. A direita, unida a alguns pobres e iludidos sado-masoquistas, acabou por sofrer o primeiro desaire.


Nos bastidores decorriam dezenas de conferências de imprensa, entrevistas de última hora. Enfim, mil e uma formas de explicar o que parecia inexplicável. Era um frenesi de especialistas na matéria, jornalistas de vanguarda, comentadores de inspiração quase divina, analistas de profundas matérias políticas...enfim, uma imensa mole de doutos conhecedores do assunto, a quem as sondagens pregaram uma enorme partida.


Afinal as sondagens não contaram o peso dos indecisos, quase 11% nas últimas avaliações...Estes indecisos tinham a mente espartilhada entre o Alegre e o Soares, portanto não engrossavam as fileiras de Cavaco. Eram, além doutros, na sua maioria socialistas envergonhados que votaram por “descarga de consciência” e contra as duras “disciplinas partidárias” no candidato dos espinhos da rosa: Alegre. E este generoso socialista que colocou, temporariamente, o cartão de filiado na gaveta, acabou por ser o verdadeiro adversário do tão cabisbaixo e desiludido Cavaco e seu aristocrático séquito. Obrigaria, assim, a uma segunda volta eleitoral, todos aqueles que pensaram e ficticiamente construíram sonhos de “única volta”.  Afinal, Alegre, isolado, quase ostracizado pelos que tão amigos pareciam, acabou, com mérito e reconhecimento dos seus verdadeiros amigos, por ser o eleito para o “duelo” seguinte. Boa, Manel, pensei eu, contrariamente ao seu camarada que lhe deixou a mensagem dos vencidos: “ Manel, ganha juizinho...”  Apenas exclamarei: ”Vae victis”, como alguém bem disse, já “in illo tempore”.


Nesse sonho parecia-me ver um Cavaco desiludido, algo assustado com o seu futuro, idealizando uma esquerda perturbadora, subjugando todos os seus sonhos e remetendo-o para nova ascese e silêncio de mais dez anos de meditação transcendental, onde continuaria esfíngico e cogitando novas oportunidades futuras, ainda mais jovem que o agora  candidato Soares.


Sei que foi um sonho, mas há tantos sonhos que revertem realidade. Oxalá este cumpra o destino.  



publicado por dboliveira às 20:03
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Domingo, 8 de Janeiro de 2006
Essencial: conhecer o impossível...o Homem

        essenziale.jpg


                                                  (Foto da net)


No seu último romance, “As Intermitências da Morte”, Saramago recorre ao “Livro das Previsões” transcrevendo:«Saberemos cada vez menos o que é um ser humano».


Sem dúvida uma grande, talvez a maior previsão sobre o futuro da humanidade e do mundo que habita.


Afinal todos os dias nos esquecemos do homem, esse ignoto símio que se cruza connosco, que sofre dores e vive emoções, tal qual como nós, que miramos e não miramos, conforme a disposição e humor que nos invade. É facto que, por vezes, reparamos na presença do outro semelhante, mas ignoramos ou desdenhamos sua existência. É mais um!...pensamos nós. Amigo? Adversário? Indiferente? Queremos lá saber! O egoísmo invade-nos até ao tutano existencial e limitámo-nos a cumprir o ritual desassombrado da eterna indiferença perante os outros.


Mas quando existem interesses no interesse por esse “outro”? Ah!, aí calma! O “outro” poderá ser fonte de lucro para nós...convirá não ignorá-lo. Agiotas das almas, vendilhões de hipocrisia, valsamos ridículos salamaleques em redor do “outro” que nos interessa...até que os nossos objectivos sejam alcançados. Bem, depois, se o “outro” já não for útil...esquece-se, ignora-se...ultraja-se, se tal for necessário para o desenlace.


E é assim que vamos seguindo as normas de milhares de anos de convívio existencial, descrito e documentado em tantos outros milhares de cartapácios quase dogmáticos, escritos por outros, que já foram “outros”, e deixaram depoimentos e ideias...para esquecer e deixar empoeirados em estantes e gavetas. Escritos sedimentados na lama dos tempos e rotulados, muitas vezes, de “Livro das Previsões”, mas que dizem o que dizem, transmitem o que cada um pretende lhe seja transmitido, mesmo que a deturpação factual e literal seja necessária...para os nossos interesses.


Então que conclusão tirar, neste prólogo de 2006, acerca desse outro animal, simiesco e rotulado de HOMEM, animal de origem transmilenar? É, como sempre foi e será (?), um animal de interesses...logo, um INTERESSEIRO.


Continuaremos com essa certeza, mas na realidade “saberemos cada vez menos o que é um ser humano”.



publicado por dboliveira às 19:13
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