Na lonjura do horizonte a busca etérea da luminosidade espiritual...da doçura do sonho às agruras da realidade.Palavras e imagens que, devagar, divagam entre ignotas luzes, sombras e penumbras, de ciclos de vidas incertas e perdidas na voragem do tempo
Terça-feira, 23 de Agosto de 2005
fogo...água...suplício de Tântalo

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Com tanto incêndio inexplicável, por muito que as faúlhas se não compadeçam de voar ao toque do vento, entram-me no espírito autênticas baralhadas de pensamentos que me esquentam sobremaneira os neurónios. Assim, dou comigo sentado e a matutar o presente e o futuro da água que se arremessa fogo adentro, num autêntico abraço da sede à vontade de beber. E a água, senhores, nesta carência visível, neste sufoco de terra ressequida, de plantas estioladas...e tudo!... sem água, mas a mesma abraçando o fogo que a miséria e o crime atearam, floresta adentro...autêntico esbanjar de diamantes vitais. Vem-me à memória, num resplandecer de carências vindouras, a imagem mitológica do suplício de Tântalo, que os deuses castigaram a tocar água com sede, mas a mesma desaparecer-lhe, mantendo a sede em crescente sofrimento. E vejo-nos, tempos de amanhã, agarrados à procura desse diamante líquido e vital, sem que ele nos sacie a mesma sede...não que desapareça realmente, mas a qualidade e inocuidade desaparecerão, logo não será água, mas líquido inquinado e venenoso...anti-vital. Todos seremos, para mal maior dos nossos filhos e netos, autênticos “Tântalos”, tocando a água, mas não conseguindo bebê-la. Mas, atentemos, porque se deuses condenaram Tântalo, nós é que fazemos de deuses (menores) e nos auto-condenamos. Já que falo da água, embevecido em pensamentos nefastos sobre fogo e água, lembrei-me de reler uma revista que trazia algumas curiosidades sobre a mesma água. Para quem não leu, e achando de interesse para os dias de hoje, com a canícula e os incêndios, vou expor algumas curiosidades. A água, bem escasso e não regenerado, cobre 70% da superfície da Terra, no entanto só 2,5% da água deste planeta azul é doce, havendo 0,3% em rios e lagos. Mais de 97,5% da água do planeta é dos oceanos, e esta não pode, na sua singeleza natural, ser utilizada em indústria, agricultura ou para beber, apesar de hoje já se proceder à técnica da dessalinização. Nos últimos 100 anos a população da Terra triplicou, mas o consumo da água por pessoa aumentou seis vezes. Cerca de 1,4 biliões de pessoas não têm acesso a água potável. Há cerca de um bilião de pessoas que têm que caminhar à volta de três horas/dia para conseguirem obter água potável, essencialmente em zonas rurais africanas. Actualmente 69% da água é consumida na agricultura, principalmente na irrigação, consumindo a indústria cerca de 23% e o uso doméstico apenas 8%. A tendência da indústria será a de aumentar o seu consumo de forma significativa. Morrem anualmente cerca de 7 milhões de pessoas devido a doenças transmitidas pela água, sendo, à volta de 2,2 milhões, crianças com menos de cinco anos.


Uma torneira com fuga pode gastar 10 litros de água por dia.


Gastam-se cerca de 7 litros de água para lavar roupa à mão.


Um duche de 5 minutos pode consumir 135 a 190 litros de água.


Um banho de imersão pode gastar 139 a 190 litros de água.


Regar o jardim à mão pode gastar 38 litros de água.


Uma máquina de louça, ciclo completo, gastará 25 a 75 litros de água.


Uma máquina de roupa, ciclo completo, gastará cerca de 228 litros de água.


Um autoclismo, fluxo normal, gastará 19 a 32 litros de água.


Um autoclismo, fluxo baixo, gastará 7,6 a 15,2 litros de água


Uma fuga de água na sanita pode perder 50 litros por dia.


Lavar dentes com água corrente pode gastar 38 litros.


Barbear-se com água corrente poderá gastar 76 litros.


Apesar de variações nas estimativas, em média cada pessoa gasta 300 a 400 litros de água por dia, sendo o maior consumo em banhos e autoclismos.


Uma piscina olímpica, com 50m de comprimento, por 22m de largura e 2,7m de profundidade, comporta 3 milhões de litros de água.


Para produzir um barril de cerveja, são utilizados 5.678 litros de água.


Sabemos que o corpo humano é composto por mais de 60% de água; o cérebro tem 70% de água, o sangue 62% e os pulmões cerca de 90%.


O suprimento total de água no mundo inteiro rondará os 522 milhões de Km3, o que é equivalente a 3,8 triliões de litros. Mas atentemos que a globalidade da água no planeta mantém-se inalterável, nos vários biliões de anos da sua existência, pelo que se o consumo se mantiver nos padrões e ritmo actuais, duas em cada três pessoas viverão em carência de água no ano de 2025 (já tão próximo!), e numa altura em que a exploração dos recursos terá aumentado cerca de 70%.


Em suma, isto dá que pensar seriamente, mas devemos ser todos a pensar e não só alguns que poderão ser apodados de “poupadores da farinha e esbanjadores do farelo”. Não esperemos pela condenação tantâlica de uma humanidade que se diverte olhando e remirando o seu umbigo, esquecendo que a água, quando foi criada, foi para todos.



publicado por dboliveira às 20:33
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