Na lonjura do horizonte a busca etérea da luminosidade espiritual...da doçura do sonho às agruras da realidade.Palavras e imagens que, devagar, divagam entre ignotas luzes, sombras e penumbras, de ciclos de vidas incertas e perdidas na voragem do tempo
Terça-feira, 9 de Agosto de 2005
os burros...e a esperança

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Quando era aluno liceal, (belos tempos!), recorda-me de um colega e amigo ter escrito uma dedicatória numa pagela, para mais tarde recordar, que dizia apenas isto: “a esperança era verde, mas veio um burro e comeu-a”. Achei piada, todavia só algum tempo mais tarde, por mera casualidade, me debrucei sobre a tal pagela, e entendi alguns porquês daquela caricaturada frase. É claro que deduzi que o burro confundiu a esperança com uma lauta refeição de boa erva. Também sei que quando Deus criou a relva, foi para todos, só que poucos ali pastam e usufruem sua clorofila e prazer. Alguns, nela se deitam e espreguiçam os costados, num desmaiar de cansaço. E agora, com tamanha secura e o lenhoso hálito das florestas incineradas, até saberia muito bem tal refastelamento, com frescas bebidas por companhia. Mas voltando ao burro que comeu a esperança, julgando que era relva, Deus nos livre de muitos outros burros que nos comeram e continuam a comer o verde da grama. Mas gramamos e lá os vamos vendo comer as nossas esperanças. Estes dias até sonhei que de tão verdes, que não esperançosos, que estamos, alguns desses burros, por aí sem arreios, depois de tanto pastar, tiveram um autêntico desarranjo visceral, que, desculpem-me a ousadia, cagaram-se de autêntico desespero, por tanta esperança ingerida. Coisas de quem, como o peixe, morre pela boca! Com tanto incêndio por aí, vai-se esfumando a verdura, que é como quem diz a esperança, e os burros, com arreios ou sem eles, vão ter que buscar novos pastos...e lá se irá a esperança doutros. Não me sinto desesperado, mas com tanta agitação da asinice, começo a ver estiolar-se e esmaecer a verdura de muitas esperanças goradas.


 


À guiza de conclusão direi: que a nossa esperança não seja pasto dos mesmos burros de sempre...de contrário, pode haver metamorfose inversa.



publicado por dboliveira às 22:02
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