Na lonjura do horizonte a busca etérea da luminosidade espiritual...da doçura do sonho às agruras da realidade.Palavras e imagens que, devagar, divagam entre ignotas luzes, sombras e penumbras, de ciclos de vidas incertas e perdidas na voragem do tempo
Terça-feira, 2 de Agosto de 2005
A indesmentível dicotomia do ter/merecer

                                              


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Na leveza do ser e não ser, do ter e não ter, há os que têm o que merecem, e os que merecem mas não têm. Do ter e não ter, merecer e não merecer, vive o mundo em confrangedora assintonia.Da plêiade dos que têm o que merecem abundam os amordaçados e os bafejados da sorte...que, não apenas sorte e desgraça, os envolve. Dos que merecem mas não têm, ou carecem de sorte ou serão negligenciados. Se um povo tem o que merece, aí mesmo haverá quem tem o que não merece...quer no bem quer no mal. Do merecimento das pessoas poucos se interessam: apenas os críticos e crónicos da maldicência. Quem tal pensa, quase sempre tem o que não merece. Mas que se poderá ter com ou sem merecimento? Muitas e variadas coisas, desde a sublimidade ao infinitamente abjecto. Há quem mereça Deus, mas Deus também não merece certos humanos de pérfidos princípios e obsoletos costumes. Certo, que a César o que lhe pertence, mas nem tudo César merece. Há quem mereça riqueza palpável e dela não usufrui, mas tantos a merecem e não gozam dos seus prazeres sensoriais. Já aqui, neste quase bucólico recanto de palavras esparsas, falei de ricos e pobres, os de mérito e demérito, mas relembro que a pobreza quase nunca é culpa dos seus portadores...mas, embora tal custe a muitos, deve-se às injustiças e ingratidão dos ambiciosos detentores do Poder. Jamais alguém conseguirá desligar o Poder da riqueza e da pobreza existentes...os destinos não são fruto da genética, mas aquisição existencial. O destino do merecimento é construído numa plataforma de hábitos selvagens da humanidade. A bipolaridade factual será indestrutível: temos o que merecemos, não merecemos o que temos, merecemos mas não temos...e assim por aí fora, ao sabor dos tempos, dos costumes, dos políticos, dos homens...que estes é que geram destruição e injustiças, baseados na avidez do ter e do poder. Julgam os homens conforme lhes apetece, com leis construídas à sua desejada dimensão, contróiem mitos e lendas ao sabor das apetências, levantam heróis e anátemas à medida da sua tacanhez espiritual...tudo em nome do poder e riqueza que os fracos e subjugados lhes concedem. Da riqueza à pobreza, da saúde à doença, da vida à morte...em tudo o homem interfere, com ou sem merecimento. Uma coisa é indesmentível: nesta dicotomia do ter/merecer, como em tudo na vida, não existirá o sempre nem o jamais.



publicado por dboliveira às 23:08
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